Por que acreditamos na retomada presencial?

Análise do cenário

Com a pandemia causada pelo novo Coronavírus, um número expressivo de escolas no mundo todo teve suas atividades presenciais suspensas no início de 2020.

Professoras e professores, agentes fundamentais no processo educacional, viram-se, de um momento para outro, diante da necessidade de atuar em um contexto de excepcionalidade, e alternativas passaram a ser adotadas com o objetivo de reduzir o prejuízo educacional e a preservação do direito à educação.

Segundo dados da UNESCO, no Brasil, 81,9% dos alunos da Educação Básica deixaram de frequentar as instituições de ensino, o que, na prática, representa cerca de 39 milhões de estudantes fora das salas de aula.

Foi nesse contexto urgente que a Rede de Ensino APOGEU, em tempo recorde, definiu e colocou em funcionamento seu plano emergencial denominado APG On-line. Toda a mobilização imediata garantiu a oferta de conteúdos sólidos e altamente focados no desenvolvimento do aluno e na promoção de suas habilidades socioemocionais, na flexibilidade e individualização de aprendizado, tudo isso incorporado ao programa digital.

Entre erros e acertos, atrelados à busca constante pelo aprimoramento da proposta, seguimos ao longo do restante do ano letivo de 2020 envoltos ainda em um cenário que, ora sinalizava a contenção do vírus, levando a crer na possibilidade de retomada das atividades presenciais, ora escancarava o avanço no número de pessoas infectadas, superando toda a esperança de reabertura das nossas unidades. Nesse contexto, priorizamos sobremaneira o envolvimento, a comunicação transparente e o atendimento às nossas famílias, além de toda a comunidade escolar, com foco integral no aluno.

A chegada de 2021 evidenciou todas as tentativas das instituições educacionais de garantir a continuidade do ensino e, em meio aos indícios de benefícios e prejuízos ocasionados por cada iniciativa, seguimos aperfeiçoando o modelo emergencial que começamos a construir no ano anterior.

Aprendemos com o APG On-line, vimos de perto os projetos imprecisos e ineficazes, nos inspiramos nas melhores práticas de escolas renomadas e agora estamos prontos, manifestando a toda a comunidade escolar nossas decisões e argumentos para comprovar que o Modelo Híbrido de Aprendizagem já é uma realidade e tem se mostrado efetivo e com potencialidades poderosas em prol do aprendizado dos nossos alunos. E mais: acreditamos ser a melhor solução para garantir autonomia e protagonismo na Educação.

 

Presentes, mas distantes: os prejuízos gerados pelas transmissões ao vivo

A transmissão de aulas ao vivo mediante o retorno presencial tem sido uma alternativa adotada por muitas escolas. Contudo, no APOGEU, entendemos que se trata de uma opção que não funciona de forma efetiva. A sala de aula não é um estúdio. Segundo alegações dos professores, não é praticável dar a devida atenção nem para o aluno que está em casa nem para quem está em sala presencialmente.

No aspecto pedagógico, o professor precisa modificar a forma que sempre utilizou para conduzir suas aulas, ao mesmo tempo em que precisa adaptar as aulas a esse formato para atender dois espaços diferentes mantendo os objetivos, dependendo, para isso, de uma alta performance de conhecimentos tecnológicos para que essa adaptação ocorra com qualidade e que favoreça a obtenção de evidências das aprendizagens dos estudantes. Além disso, há uma necessidade de atenção e foco do professor em dois ambientes diferentes, para que atenda às necessidades dos dois grupos de estudantes. Educadores já alegam o desgaste para focar na tela e focar na turma, variando o foco nos dois ambientes.

Ainda no aspecto pedagógico, verifica-se que o impacto na aprendizagem não é o mesmo e chega a ser reduzido, principalmente, para os que estão em casa, que vivem uma experiência muito diferente da presencial. A redução na aprendizagem também atinge quem está no presencial, porque para ser transmitida com exatidão, as orientações do professor devem ser feitas de forma mais pausada do que o habitual e com mais repetições, o que interfere na qualidade dos resultados obtidos presencialmente além de, provavelmente, reforçar a indisciplina e a falta de foco.

Outro ponto defendido e comprovado é que a aula transmitida não garante a isonomia do aprendizado. Só o fato de ser oferecida em duas mídias diferentes já inviabiliza a paridade educacional que tanto priorizamos, sendo que a própria tecnologia incapacita a forma eficiente de ensinar, haja vista que o professor pode se desconcentrar ao tentar priorizar uma ou outra interface. Isso pode impactar ainda o aspecto emocional dos alunos que acompanham remotamente as aulas. Com frequência, eles podem se sentir excluídos ou negligenciados das propostas presenciais.

Sob esses argumentos, o APOGEU reitera as potencialidades do Movimento Híbrido de Aprendizagem, que emerge como uma poderosa forma de oferecer as vantagens da educação em meio digital, já iniciada em 2020 por meio do Projeto APG On-line, combinadas com todos os benefícios do ensino presencial. Resta aos pais e responsáveis a decisão de manter o filho assistindo a 50% das aulas na escola e 50% em casa, com todos os prejuízos gerados por esse modelo ou preferir que o filho assista, com qualidade e excelência, a 100% das aulas remotas e ter a oportunidade de tirar dúvidas e avançar os conteúdos na escola, conforme modelo adotado pela Rede de Ensino APOGEU.

 

O poder da escolha

No APOGEU, as famílias que não se sentirem à vontade com o retorno presencial têm a possibilidade de manter os filhos em casa, sem nenhum tipo de impacto negativo no aprendizado. Para esse público, a Rede de Ensino vai garantir todo o aprendizado em 2021 de maneira híbrida. Seguimos valorizando a percepção de que é possível aprender de maneiras diferentes, recebendo os estímulos certos e as ferramentas adequadas, contando ainda com o acolhimento e supervisão de uma equipe focada no sucesso do aluno. Nessa visão, o MHA sustenta o incentivo à autonomia do estudante, permite que ele ative os Roteiros de Aprendizagens no conforto de casa e na ocasião que lhe for mais propícia, transformando o aluno em um agente ativo da construção do conhecimento.

Por ser um modelo 100% estável, o Movimento Híbrido de Aprendizagem permite a efetivação do ensino independente dos rumos tomados pelas escolas frente às decisões pela manutenção ou suspensão das aulas presenciais. Eventuais paralisações no modelo presencial podem ser recorrentes ao longo deste ano, mediante as incertezas geradas pelo cenário de pandemia. Ou seja, se ancorássemos todos os nossos esforços apenas no modelo presencial, poderia haver prejuízos desmedidos no processo de aprendizagem dos alunos. Portanto, em 2021 continuaremos sustentados na forma remota, garantindo, assim, aulas em que o aluno consiga absorver os conteúdos, independentemente de onde esteja. Desse modo, por meio de quatro pilares, o MHA dá conta de uma carga de aprendizado ainda maior do que aquela pactuada contratualmente entre as famílias e a escola. São eles:

 

– Espaço de Aprendizado Individualizado: os alunos têm a oportunidade de absorver o conteúdo de forma assíncrona, por meio dos Roteiros de Aprendizagem, contendo vídeos, gráficos, charges, podcasts etc.

– Interatividade (on-line): é o momento em que alunos e professores se encontram ao vivo. Neste pilar, os professores dão continuidade ao que o aluno absorveu no Espaço de Aprendizado Individualizado, exemplificando situações e sanando as dúvidas.

– Orientação Pedagógica: os alunos contam com os próprios professores como seus orientadores de estudo. Forma-se assim um espaço de escuta, organização de rotina e motivação.

– Presencial: momento de acolhimento, troca de experiências e tira-dúvidas nas unidades em que os alunos estão matriculados.

Sobre esse último pilar, abordaremos de forma mais detalhada a proposta e a necessidade de retomada.

 

Por que acreditamos na retomada presencial?

Embora ainda incerta a data da volta às aulas presenciais em muitos municípios mineiros, o APOGEU já está preparado para receber os alunos, não da mesma maneira como retornavam das férias, mas ciente das experiências vividas ao longo do ano passado que podem ter deixado diversos impactos negativos, não apenas na aprendizagem, mas no desenvolvimento socioemocional causado pelo isolamento social e distanciamento escolar.

O primeiro ponto considerado é que, neste momento, os sentimentos deverão ser acolhidos, e a maneira como isso será feita será primordial para tudo o que virá depois. Diversos são os motivos para o acolhimento: nossos alunos passaram por experiências de luto próximas a eles, de familiares, amigos e pessoas conhecidas, e as perdas vividas precisam ser tratadas de forma especial e afetuosa.

As mudanças de rotina também foram recorrentes, tanto na vida do aluno quanto na dos pais. E isso ocorrerá novamente. Se foi difícil, de repente, estarem todos em casa, mudar a rotina novamente e se ausentar da segurança que o lar representa pode também gerar alguns impactos. Principalmente aos menores. Todo um período de readaptação à escola e de afastamento dos pais terá que ser feito novamente.

Há ainda o medo da contaminação. E isso é uma possibilidade real. O medo dos adultos influencia diretamente os filhos, portanto, teremos que lidar com níveis diferentes de ansiedade, pois os alunos poderão trazer de casa toda uma bagagem do que vivenciaram e vivenciam desde o início da pandemia.

Uma questão importante a ser trabalhada é a seguinte: existe a previsão de aulas expositivas, com os professores, em nossas unidades, caso seja sinalizado a autorização para o retorno? Olhando para a potencialidade do MHA, com os seus pilares, a resposta é não. Não voltaremos com o formato que iniciamos o ano de 2020. Cremos que a Escola, embora lugar importante de encontro, abraços e partilha de sonhos, já não se mostra com unicidade, como a arquitetura definidora do aprendizado. Temos registrado e creditado que o aluno, com as suas múltiplas facetas e competências, consegue aprender em diversos lugares, modalidades e momentos. Queremos, neste pilar do presencial, elaborar um ambiente de acolhida, mediação e de tira dúvidas, com o corpo administrativo, professores e monitores.

Portanto, a melhor forma de acolhê-lo é ajudar a lidar com os próprios sentimentos, através de momentos de conversa, de escuta individual e coletiva. Zelar pela segurança e pela saúde dentro da escola trará também mais confiança e segurança. Nosso objetivo é fazer com que a escola seja um lugar agradável para estar. Por mais responsabilidades que se tenha dentro dela, o lúdico deve estar sempre presente, os jogos, a música, as brincadeiras e as atividades físicas. Além disso, conforme relatos de alunos, a retomada presencial também é eficaz porque a escola proporciona a ambiência ideal para o estudo.

Os pais são grandes aliados da escola nesse momento, e essa aproximação é fundamental para que tudo dê certo, tanto em relação aos cuidados necessários para que a pandemia se mantenha controlada, como para que as questões emocionais dos estudantes possam ser trabalhadas. Em contrapartida, a retomada assegura a assistência para as famílias que não têm com quem deixar os filhos no decorrer do expediente de trabalho.

 

O ano letivo de 2021 no APOGEU

Iniciamos o ano letivo no dia 02 de fevereiro. Ao contrário de outras instituições de ensino, que optaram pelo retorno a partir da segunda semana do mês, voltamos antes justamente para termos um maior período de adaptação e utilização das ferramentas educacionais implantadas.

Sem dúvidas, a primeira semana de aula foi desafiadora, intensa em novidades e no volume de informações. Mas, foi também um momento em que ouvimos nossas famílias, respondendo aos eventuais questionamentos e dúvidas, fazendo os devidos ajustes. Estamos certos de que lançamos um verdadeiro “movimento” com a introdução do MHA, o que pressupõe um momento de construção, mudanças, arranjos e reajustes. Ou seja, neste processo, estamos também aprendendo.

Nesse início de ano letivo, a aplicação de pesquisas foi crucial para entendermos a realidade dos alunos, as necessidades específicas de cada turma e o desejo das famílias quanto ao possível retorno presencial. Os resultados se apresentaram como importantes dados para a criação de melhores estratégias e, assim, continuarmos a oferecer uma Educação de Excelência, mantendo-nos atento ao que nos é de mais caro: o foco no aluno!

 

O que vem pela frente

O APOGEU tem se debruçado no esforço contínuo de otimizar os Roteiros de Aprendizagem e a qualidade das aulas ao vivo. Tudo isso para chegarmos ao mês de março com o modelo com muito mais qualidade. Além disso, o atendimento individualizado é outra proposta que promete a efetividade do MHA. Aguarde!

 

"APOGEU – DOS PRIMEIROS PASSOS AO PRÉ-VESTIBULAR"